O BOTAFOGO POR JORNAL MB (MAIS BOTAFOGO)

“Um desastre. Chegamos cerca de 50 pontos atrás do Flamengo. Desânimo geral”.
Foi essa a impressão de  Marcelo Murad quando a primeira regata de 2015 chegou ao fim. O BOTAFOGO vivia tempos de incerteza com o caos financeiro deixado pela administração anterior. Em terra firme, Alexandre Xoxô, o chefe da equipe, animava a tropa. Timoneiro nos anos 1980, sofria duas vezes naqueles tempos: na Lagoa Rodrigo de Freitas e nas arquibancadas do Maracanã. Vacinado pelos duros tempos, vaticinava. “Calma! Vamos reverter!”. Ele tinha razão: na segunda regata, além de descontarmos os mais de 50 pontos,
abrimos uma frente de 30 pontos. O final todos sabem: tricampeão estadual.
Mas essa história começou bem antes, no final de 2008. Procurado por Roberto Costa, amigo de mercado financeiro e de arquibancada, Murad foi conversar com o grande benemérito Hugo Ibeas ex-vice presidente de remo. “Queremos ser campeões. Xoxô e eu sabemos como fazer, sem muitos gastos”, garantiu. No ano seguinte, penúria total. Na Confederação Brasileira de remo, a situação não era diferente. Sofreu intervenção judicial, com Mauro Ney Palmeiro no comando e Murad na coordenação. Veio a primeira alegria: em 2009 Aílson Eraclito da Silva conquistou a prata na República Tcheca no Mundial sub 23, a primeira medalha brasileira em mundiais.
As novas conquistas de Ailson, como as medalhas de prata e bronze em 2010, atraíram muitos atletas para remar com ele na sede da Sacopã. Ainda naquele ano, o clube contratou Anderson Nocetti, com três Olimpíadas no currículo, para remar com Ailson. “Quando chegamos, em 2009, o BOTAFOGO usava basicamente uma flotilha de barcos chineses. Eram réplicas dos melhores barcos do mundo e atendiam bem para o que queríamos: formar uma boa equipe’’, lembra Xoxô. “Nessa época, através da Lei de Incentivo Estadual – sem
custo algum para o clube – ampliamos a flotilha de barcos chineses. Mas faltava um novo “oito” para ‘revolucionar’ a nossa garagem”, sonhava o treinador. O sonho demoraria um pouco. Esse ano o Botafogo comprou um ‘oito’ da Filippi. A marca italiana, fundada em 1980, uma das quatro melhores do mundo, ajudou muitos atletas a conquistarem medalhas de ouro olímpicas. Em relação aos barcos antigos, os remadores ganhavam dez segundos em relação aos barcos antigos. “Junto a ele veio um barco ‘double skiff’ reversível para ‘dois sem’. Esses dois barcos são pretos com frisos brancos. Até agora estão invictos com os nossos remadores”, comemora Xoxô. “Precisávamos ‘chutar a porta’, quebrar o padrão de derrotas que se acumulava desde 1964. Já em 2012 chegamos à última regata com chances de conquistar o título estadual. Não veio. Mas tínhamos certeza de que em 2013 a taça viria”, lembra Murad. Dali em diante, o BOTAFOGO consolidou a hegemonia. “Hoje temos em cada categoria, por faixa etária, um a dois remadores entre os melhores do Brasil”, fala Xoxô, orgulhoso com o tricampeonato estadual. “Nos juniors, Lucas Vertheim ficou em terceiro lugar no Campeonato Mundial.
No Sub-23, Uncas Tales Batista, ficou a um segundo da Grande Final do Mundial e ainda tem mais dois anos na categoria”, ressalta o técnico. “Foi uma regata muito difícil. Eu não estava preparado fisiológica nem psicologicamente”, revela o exigente Uncas, que entrou no remo por acaso. Os pais (Eliane Geral e Fael Max) trabalhavam numa van. O filho, que ficava à toa em casa, um dia resolveu ir com pais,. “Vi um anúncio de escolinha e me matriculei”, lembra. Medalha de prata no single skiff no Campeonato Sul-Americano do Chile, Uncas acha que nossa hegemonia se deve a três fatores: treino, união de toda a equipe e o amor de remar pelo BOTAFOGO. Mas não tem sido remadas tranquilas para Uncas. Estudante de contabilidade, 20
anos, diz que o que mais o entristece é a falta de reconhecimento. “Ninguém liga se você é atleta, se treina muito. Muitos nem sabem o que é remo”. “O Uncas pode se juntar ao Aílson Eráclito – na minha opinião o maior remador que o clube já teve e fazer uma dupla os Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio”, sonha Murad.
Uncas sente a falta de reconhecimento do público pelo esporte. Mas nós, Botafoguenses, vibramos com suas remadas; e as remadas de seus companheiros como Armando Max, Emanuel Borges, Diego (Nazário), Fabio Baiano, Daniel Afonso, Bernardo Boggian,
Luis Felipe, Nathalia Barbosa , Felipe Reysol, Helder (Quirino) e tantos outros. Porque, como diz o Xoxó, “Poucos clubes no mundo tem um time igual ao nosso”. E viva o BOTAFOGO, campeão brasileiro!
Paulo Marcelo Sampaio / Jornal MB ( Mais Botafogo).

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